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Shadowside (Dani Nolden): Soltando os monstros!

Postado em outubro 1st, 2012 @ 21:58 | 1.771 views

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Por: Julio Marcondes

Prestes a lançar o seu terceiro álbum “Inner Monster Out”, eu fui conversar com a vocalista Dani Nolden da banda Shadowside, e falamos principalmente sobre o momento atual que a banda vive e toda a atmosfera do lançamento de um novo álbum. O Shadowside ainda conta com Rapahel Mattos (guitarra), Fábio Buitvidas (bateria) e Ricardo Piccoli (baixo).

SHOCK BOX: Com o lançamento do “Inner Monster Out” o Shadowside começa uma nova etapa na carreira. O que foi o Shadowside até este lançamento e o que a banda espera para depois dele?

Dani Nolden: Nossa carreira foi uma verdadeira montanha-russa até agora. Tivemos acontecimentos bem intensos em um curto espaço de tempo, como no início, quando saímos de uma gravadora falida direto para outra com distribuição da Universal Music no Brasil, para logo após fazer a turnê brasileira como banda de suporte do Helloween. No lançamento do segundo álbum, “Dare to Dream”, estávamos em um período de mudança de formação, sem saber exatamente como seria o futuro e quando já estávamos pensando no novo material, que hoje é o “Inner Monster Out”, recebemos um convite bem inesperado para sermos a banda convidada do W.A.S.P. para uma longa turnê pela Europa. Terminamos o trabalho do “Dare to Dream” com uma turnê maravilhosa por 17 países europeus, shows nos Estados Unidos e festivais na Romênia e Bósnia-Herzegovina. Nós sempre parecemos alternar períodos obscuros e incertos com momentos incríveis, então não me preocupo mais se as coisas parecem meio calmas demais por alguns meses (risos). A resposta do público tem sido excelente nós divulgamos alguns trechos das novas músicas e uma completa, ‘Angel with Horns’, que também será o primeiro videoclipe. Acredito que teremos um ano bem intenso após o lançamento do “Inner Monster Out”.

SHOCK BOX: Quanto ao processo de composição, como funciona o processo de composição do Shadowside, existe algum cuidado a ser tomado neste momento, uma direção a ser seguida, ou a banda solta “os monstros internos”?

Dani: Nós soltamos os monstros, completamente… Especialmente no “Inner Monster Out”. O “Dare to Dream” foi uma experiência maravilhosa, acredito que crescemos muito como banda naquele álbum, mas nesse, conseguimos relaxar e fazer um disco totalmente livre, sem preocupações com direção, resultado, se seria Hard Rock ou Metal, ou que tipo ou gênero dentro do Metal. Desde o começo temos problemas para nos rotular, mas isso é uma coisa excelente para a música. Nós não somos necessariamente uma banda de Power Metal, nem de Thrash. Somos Metal e mais nada. Então, a única coisa que nos importou durante a composição desse trabalho foi se soava bem para nós ou não. Esse trabalho é o que eu busco desde o início da minha carreira… A combinação de muito peso, muita agressividade com melodias bonitas e marcantes, além de um toque moderno, sem fugir das raízes. É uma mistura dos nossos álbuns anteriores, com novidades. Escrevemos todo o material juntos, é até difícil lembrar quem fez o quê. Eu e o Raphael aparecemos com praticamente metade do disco cada um, mas todos nós modificamos tanto as músicas originais que é seguro dizer que a banda toda trabalhou e colocou o coração nisso. Todo mundo mexeu em tudo e isso é excelente… Deixa a coisa original, com ideias novas, já que cada um de nós gosta de coisas tão diferentes. Ao invés de juntarmos um grupo de pessoas que quer seguir uma influência em comum, decidimos não seguir influência alguma e agradar a todos da banda, o resultado disso foi algo bem diferente do que existe hoje. Não sei se funciona para todos, mas funciona para mim! (risos)

SHOCK BOX: Falando em “monstros”, qual o significado do título do álbum “Inner Monster Out” para a banda e sobre as letras, num geral o que elas abordam?

Dani: Os temas podem ser vistos como um tanto obscuros, mas, na verdade, é fácil observar que eles apenas apontam como cada um de nós é completamente “anormal” dentro da própria intimidade. Nós sempre estamos tentando passar a imagem de certinhos, perfeitos, sem incertezas ou desvios, mas essa não é a realidade, é? Todos têm um tanto de loucura, algum medo, traços de personalidade considerados indesejados. O “Inner Monster Out” foi a minha reflexão sobre mim mesma e sobre situações que eu vi ao longo da minha vida. ‘Gag Order’, por exemplo, é sobre timidez extrema, algo que eu consegui impedir que continuasse atrapalhando a minha vida, mas ela ainda está lá. Sempre tenho que respirar fundo antes de falar com um desconhecido (risos). Todas as letras são bem introspectivas, muitas são histórias reais e o assunto amplo do álbum é a revelação da “persona” oculta com tudo que ela tem de bom e ruim.

SHOCK BOX: Alguma curiosidade sobre as letras, sempre tem uma que dá um pouco mais de trabalho, houve alguma? Qual foi a “trabalhosa” e por quê?

Dani: ‘A.D.D.’ me deu um trabalho enorme! Essa música é sobre D.D.A. (A.D.D. em inglês), que é o distúrbio do déficit de atenção. Eu escrevi a letra sobre como é a mente de alguém com D.D.A., com todos os sintomas, mas eu não queria apenas fazer uma descrição do assunto… E sim mostrar como é o mundo dentro da minha cabeça (risos). Como um dos sintomas é esquecer o que você já fez ou falou, eu repeti partes da letra, como se tivesse esquecido que já escrevi, como se eu apenas estivesse falando o que vem na minha mente desorganizada. Foi uma das letras que eu mais gostei de fazer, mas foi trabalhoso decidir o que repetir e como apresentar a ideia. A ‘Smile Upon Death’ não foi difícil de fazer, mas a história por trás dela é real. Uma pessoa querida na minha família faleceu, porém o filho dela estava comemorando a morte dela, dizendo que era dia de festa no Paraíso. Apesar de eu mesma acreditar em Deus, achei a visão daquilo algo chocante, estranho. Eu tentei não julgá-lo… Então a letra é apenas um relato fiel do que aconteceu no dia.

SHOCK BOX: E sobre o processo de gravação, como foi gravar no Fredman Studio, em Gotemburgo, na Suécia? Como era o esquema de trabalho com o Fredrik Nordström?

Dani: Fredrik é um cara fácil de lidar e foi muito simples trabalhar com ele. Ele é perfeccionista e fala o que tem que falar. Se algo não está bom, não está e ele não vai ficar satisfeito com algo apenas melhor que aquilo, ele quer 100% o tempo todo e eu achei isso maravilhoso, pois esse era também o objetivo da banda. Nós fomos para a Suécia para sair de lá com um trabalho excelente e orgulhosos do resultado, não para massagear nossos egos, então estávamos todos olhando na mesma direção. Nós enviamos as músicas pro Fredrik antes de começar a gravação, então quando ele não gostava de alguma coisa, ele nos falava e então nós trabalhávamos em alternativas. Mas o melhor, ao menos para mim, foi que ele não nos dizia o que fazer, ele apenas esperava que fizéssemos algo melhor, então ele permitiu que a banda tivesse controle criativo do material. Ele agiu como um conselheiro, como alguém experiente que nos impedia de cometer erros na parte artística e estava sempre no controle da parte técnica. A sonoridade do álbum é incrível, é sem dúvida nosso melhor trabalho até agora.

SHOCK BOX: O álbum conta com várias participações (Mikael Stanne (Dark Tranquillity), Björn “Speed” Strid (Soilwork), Niklas Isfeldt (Dream Evil)), como foi gravar com essas pessoas? Quem teve a idéia? Teve mais alguém que poderia ter participado, mas não deu certo?

Dani: Quando eu estava compondo a música ”Inner Monster Out”, esses eram os nomes que eu tinha em mente, fiz as partes deles já pensando nas vozes específicas que eu gostaria de ter. Tínhamos algumas outras pessoas para convidar como alternativas, mas esses que participaram eram exatamente quem nós queríamos, exceto Mikael, que foi um bônus maravilhoso! Inicialmente, a ideia era ter Björn e Niklas, porque a música tem personagens, além de uma voz falando na “minha” cabeça. Ela fala sobre alguém que busca serial killers, precisa ser colocar no lugar do assassino pra conseguir encontrá-lo, então é sobre alguém que se vê entendendo os motivos de alguém cruel e brutal e se assusta com isso. Durante as gravações na Suécia, acabei fazendo amizade com Anders, o baterista do Dark Tranquillity, e ele foi com Mikael no estúdio no dia da gravação do Björn para ver como o trabalho estava ficando. Enquanto ele estava gravando, estavam todos conversando em sueco, eu estava presente obviamente sem entender nada (risos). Porém, Mikael de repente se levanta e pergunta se pode gravar. Eu me perguntei se alguém poderia dizer “não” naquele momento (risos). Eu gosto muito do trabalho do Dark Tranquillity e achei maravilhoso que ele quis participar. Eu não havia pensado nele inicialmente apenas por não ter uma forma de contatá-lo, do contrário teria feito mais partes para ele, pretendo fazer isso em um trabalho futuro.

SHOCK BOX: A música ‘Inútil’ em minha opinião tem uma letra brilhante, mas para o Shadowside, o porquê escolher essa música? Como foi gravar com o Roger Moreira (Ultraje a Rigor!), pelo contato que vocês tiveram, ele mostrou conhecer algo sobre a cena Heavy Metal?

Dani: Gravar com o Roger foi uma honra, não tenho nem como descrever o quanto. Ele é um dos meus ídolos do Rock brasileiro. É exatamente pela letra brilhante que decidimos gravá-la… Ela foi escrita nos anos 80, mas é atual e perfeita para o momento do nosso país. Nós queríamos gravar uma música em português, porém estávamos em dúvida entre gravar uma versão de uma das nossas músicas antigas ou fazer uma nova que só teria letras em português, porém um dia o Raphael (guitarrista) se apresentou e cantou com uma outra banda em Santos e eles tocaram ‘Inútil’. Foi quando tivemos a ideia “por que não Ultraje a Rigor?”. Eles são irreverentes, tem atitude e isso combina perfeitamente com uma banda de Metal, especialmente com a nossa que não se leva a sério. Pedimos autorização ao Roger, ele deu o OK e então quando a música estava pronta, perguntamos se ele queria participar e ele topou. Eu não sei quanto ele gosta de Heavy Metal, mas ele parece ter curtido bastante nossa versão para a música.

SHOCK BOX: Mais uma curiosidade, agora sobre gravação: qual foi a “trabalhosa” deste processo? E o que aconteceu para ser eleita?

Dani: O processo de gravação foi simples e rápido… Nenhuma música foi realmente complicada de gravar. Acho que parte disso é por termos ficado completamente focados no trabalho. Nós moramos no estúdio durante as 3 semanas que precisamos para gravar. Lá tínhamos camas, cozinha, chuveiro e uma sala de estar e para nós, estava perfeito. Tinha mais espaço que o tourbus, então parecia um hotel 5 estrelas (risos). Nós acordávamos e o estúdio estava logo ao lado, o trabalho rendeu muito mais que imaginamos. Muitas vezes alguém não estava com sono e ia gravar (risos). Fredrik escutava no dia seguinte e decidia o que manter e o que refazer, mas muito tempo foi economizado assim e o processo foi calmo e divertido.

SHOCK BOX: Em todas as entrevistas, normalmente os músicos dizem que o álbum que estão lançando é o melhor da carreira, vocês também tem essa sensação? O que faz achar isso?

Dani: Sim, eu acredito de verdade que o “Inner Monster Out” é o melhor álbum da nossa carreira. Ele é muito mais maduro que os anteriores, em todos os sentidos. A sonoridade é infinitamente melhor, mas as
músicas também foram construídas com cuidado, nós não descansamos enquanto todos da banda não falaram “eu adoro o que estou ouvindo”. Nós colocamos tudo que era bom dos trabalhos anteriores e acrescentamos ideias que ainda não tínhamos experimentado antes, mas que funcionaram muito bem misturadas às nossas raízes. Ficou algo bem moderno sem perder a essência e atitude, algo atual, nervoso e intenso, sem excessos. É música feita exclusivamente para entreter a nós mesmos e ao nosso público. Acredito que os fãs antigos vão gostar do que alcançamos e mais pessoas vão se interessar por Shadowside também.

SHOCK BOX: A capa de “Inner Monster Out” é bem interessante, como vocês chegaram ao resultado final? Existiam alternativas?

Dani: Fabio queria algo com cabeças, eu queria alguma coisa que demonstrasse diferentes personalidades… Então passamos nossas ideias ao Felipe Machado, que trabalhou com Blind Guardian, LucasFilm e muitos outros, e ele criou a capa. Como todos nós gostamos e ela realmente descreve bem o que é o Inner Monster Out, não procuramos alternativas.

SHOCK BOX: Como foi o trabalho de produção do vídeo clipe “Angel with Horns”?

Dani: Bem, pra começar, eu sou noturna. Não durmo antes das 4h da manhã e tínhamos que começar cedo, bem cedo… O vídeo foi gravado em Campinas e a banda tinha que estar lá às 7h da manhã. Eu não dormi… Como as gravações seria pela manhã e depois somente após escurecer, eu achei que poderia dormir durante a tarde, mas é claro que não aconteceu como o planejado e eu fiquei o tempo todo acordada (risos). As gravações correram bem e mesmo exausta, foi um trabalho muito interessante, o profissionalismo da equipe facilitou as coisas. Os rapazes estavam quase caindo, porque eles tocaram em cima de maquinários em um depósito de sucata e não estava muito seguro (risos). Foi um dia bem cheio, mas todos saímos satisfeitos com o material que tínhamos no final do dia.

SHOCK BOX: Vamos aos shows, turnês e promoções, o que a banda já tem agendado neste sentido?

Dani: Por enquanto, estamos nos preocupando apenas em fazer com que o “Inner Monster Out” seja bem promovido e todos tenham a oportunidade de escutá-lo. Faremos festas de lançamento no Brasil e no exterior, vamos conversar com imprensa e fãs, saber quais são as impressões de todos sobre o novo trabalho, fazer votações para decidir o setlist e então sairemos para tocar ao vivo onde for possível. Queremos visitar todos os lugares que já tocamos antes e também levar a Shadowside para novos territórios.

SHOCK BOX: Depois de alguns meses focados no novo álbum: composição, ensaios, gravações, etc., vocês devem ter ouvido “Inner Monster Out” centenas de vezes, o que é normal. Mas chega um momento que é necessário ouvir algo diferente, o que você tem escutado de diferente?

Dani: Eu gosto de ouvir os meus antigos favoritos, como Judas Priest, Deep Purple, Meatloaf, mas também tenho escutado bastante In Flames, Disturbed, Rammstein. Fora do Rock e Metal gosto de escutar pop “adulto”, como Robbie Williams, blues. Tem bastante coisa na minha playlist.

SHOCK BOX: Gostaria de saber a opinião da banda sobre a Internet para o trabalho de vocês, até quando ajuda e até quando atrapalha.

Dani: Eu nunca achei que internet atrapalhou a indústria da música, ela apenas tornou o processo diferente. Por que alguém compraria um álbum sem ouvir? Eu não acredito que as pessoas deixaram de comprar discos. Apenas tem discos demais sendo lançados atualmente, então as pessoas escutam, mas compram apenas os favoritos, ou esperam para ver a banda ao vivo para comprar um CD, uma camiseta. Eu considero a internet uma das principais responsáveis pelo sucesso que a Shadowside alcançou até hoje.

SHOCK BOX: Achei muito legal a iniciativa da banda em doar parte da venda do álbum pela internet, no site Pledge Music, para a Cruz Vermelha japonesa. Como surgiu a idéia, primeiro de fazer uma pré-venda pela internet e depois a doação?

Dani: Essa foi uma iniciativa da nossa gravadora e eu adorei a ideia… Pré-venda é algo comum, mas o site Pledge Music também é muito conhecido por se associar as organizações de caridade, então as bandas que lançam seus projetos por lá tem a opção de escolher uma para doar parte de suas vendas, se quiserem. Nós escolhemos a Cruz Vermelha do Japão, especialmente pelo desastre recente com o terremoto e tsunami. É o mínimo que podemos fazer. Tantas pessoas nos ajudaram e ajudam até hoje, doar algo de volta é até um dever para quem está indo bem.

SHOCK BOX: Vocês têm noção da quantidade de fãs que o Shadowside tem no Japão? Além do Brasil, qual o país que a banda tem maior receptividade?

Dani: Não, não temos… A internet espalha a música de tal forma que perdemos o controle. Nós não tínhamos ideia da quantidade de pessoas que já nos conhecia na Europa antes de fazermos a turnê com o W.A.S.P., por exemplo. Imaginávamos que ninguém nos conhecia por lá, obviamente não era 100% do público, mas sempre víamos muitos nas primeiras filas cantando as nossas músicas. Sempre surpreende quando vamos a um território novo e temos fãs por lá. Quando tocamos na Bósnia-Herzegovina, o público nos parava nas ruas, nosso show foi assistido por 250.000 pessoas ao vivo pela TV local. Isso é sempre algo que só descobrimos quando temos a chance de tocar em território novo.

SHOCK BOX: Para terminar, vamos dar uma “copiada” na Roadie Crew: Qual último álbum que você comprou? Música que melhor define a sua carreira? E, quais seus cinco melhores álbuns:

Dani:
Último álbum que comprei: “Asylum” – Disturbed
Música que melhor define minha carreira: ‘Dare to Dream’ – Shadowside
Cinco melhores álbuns:
Skid Row – “Slave to the Grind”
Kiss – “Double Platinum”
Helloween – “Better than Raw”
Pink Floyd – “Dark Side of the Moon”
Ozzy Osbourne – “No More Tears”

SHOCK BOX: Agradeço a atenção, volto a reforça que as portas da SHOCK BOX estão abertas para todos do Shadowside, e aproveito para novamente para dar parabéns ao trabalho da banda.

Dani: Muito obrigada pelo apoio, espero que todos curtam o “Inner Monster Out” e nos vemos na estrada. Até mais!

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